A memória é a consciência inserida no tempo (Fernando Pessoa)

No dia 25 de março de 2022, os alunos da turma C do 12.º ano do curso de Ciências e Tecnologias da Escola Secundária Nuno Álvares realizaram, no âmbito da disciplina de Português, uma visita de estudo à Casa da Memória da Presença Judaica em Castelo Branco, tendo sido acompanhados pela respetiva professora , Maria Celina Caldeira, e pela professora Maria José Rafael. Esta atividade foi realizada com o objetivo de os alunos contextualizarem algumas das aprendizagens realizadas nas aulas de Português, no âmbito do estudo  da obra “Memorial do Convento” de José Saramago.

Ao longo da visita foi possível observarem e compreenderem a origem e função de vários elementos da religião judaica, assim como conhecerem um pouco mais sobre as festividades e costumes desta interessante comunidade. Além disso,  foi-lhes dado a conhecer o duro dia a dia vivido pelos judeus nos anos abrangentes pela Inquisição em Portugal (1536-1861).

Nesta atividade foram abordados conceitos como a conversão dos judeus em cristãos-novos, a construção das casas judaicas em Castelo Branco, o Rosh Hashaná (Ano Novo Judaico), o Hanukkah (Festa Judaica), o Shabbat (Sábado Judeu), bem como objetos da vida judaica: a Torá, o bar mitzvá, o bat mitzvá, o ketubá (contrato de casamento), o menorá (candelabro com sete braços) e a estrela de Davi. Foi também possível conhecer as diferentes torturas realizadas a judeus condenados através do “Corredor da Inquisição”.

Posteriormente, observou-se um memorial em homenagem às vítimas judaicas da Inquisição em Castelo Branco e observaram-se os diferentes modelos de sambenitos (vestimentas dos condenados nos Autos de Fé). Por último, foi apresentada, entre outras, a atribulada vida de uma das figuras mais emblemáticas de Castelo Branco, Amato Lusitano, um médico judeu responsável pela descoberta da corrente sanguínea e conhecido pela sua personalidade extremamente humanitária, nunca discriminando os seus doentes pela religião que seguiam.

Esta atividade foi  bastante enriquecedora, pois permitiu aos alunos alargar o seu conhecimento cultural sobre a comunidade judaica que, consequentemente, resultará numa melhor aprendizagem da obra que se encontra neste momento a ser estudada. Promoveu, de igual forma, um momento de maior descontração e convívio entre os alunos e professores.

Eduardo Pio

Mariana Branco