Realizou-se, no dia 18 de maio, em Constância, o 26.º seminário da Rede de Escolas de Excelência (Rede ESCXEL), um projeto do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (CICS.NOVA) que tem por parceiros aquela Universidade, oito municípios e respetivos agrupamentos de escolas e, ainda, o Ministério da Educação.

Este seminário, que teve por tema “10 anos da Rede ESCXEL”, reuniu investigadores da Universidade Nova, autarcas, professores e dirigentes escolares dos concelhos de Amadora, Batalha, Castelo Branco, Constância, Mação, Oeiras, Sardoal e Vila de Rei, tendo sido o mote para um balanço do que representaram estes dez anos de parceria, o seu impacto e contributo para as melhorias desejadas, bem como uma reflexão sobre o futuro da Rede. Os intervenientes consideraram que os objetivos que estiveram na génese desta rede colaborativa se mantêm atuais e destacaram o importante contributo das dinâmicas instituídas para a melhoria do serviço prestado pelas escolas da Rede.

Introdução

O projeto ESCXEL – Rede de Escolas de Excelência – nasceu da iniciativa de um grupo de investigadores do CESNOVA – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa – que, interpretando as grandes tendências e os grandes desafios que se colocam à educação e ao sistema de ensino em Portugal, entendem ser nas escolas e nas comunidades locais que reside o mais decisivo potencial de qualificação e de mudança social e cultural.

Pela primeira vez no nosso país, a universidade, os municípios e as escolas uniram‐se para potenciar os seus recursos e as suas competências específicas em torno de um objetivo comum: promover o princípio da excelência educativa, através de uma rede cooperativa, visando a comparação, a troca e a avaliação de experiências, soluções e modelos de desenvolvimento educativo.

O princípio da excelência mais não é do que a incessante busca de melhores soluções, processos mais eficazes e de desempenhos mais condizentes com o potencial que cada organização ou comunidade encerra e que é capaz de mobilizar para a concretização de aspirações e objetivos socialmente reconhecidos.

É geralmente reconhecido que o desafio da qualificação educativa não é uma responsabilidade exclusiva da escola. A importância da família, das comunidades locais, dos media ou das políticas educativas não pode ser dissociada da função capacitadora da escola e dos diferentes agentes que para ela contribuem, direta ou indiretamente.

A Rede ESCXEL é constituída por oito municípios, selecionados em função das suas características económicas e sociais e da diversidade de contextos educativos que encerram. Pretendeu‐se privilegiar os Municípios que, pelas suas características recentes, revelassem maior potencial de desenvolvimento educativo.

Um outro critério de escolha foi o da reconhecida vontade política dos seus responsáveis em transformar a educação das suas crianças e jovens e a qualificação dos estabelecimentos de ensino sediados nos seus concelhos numa prioridade dos seus programas e da sua ação.

Assim, constituem e são parceiros da Rede de Escolas de Excelência os Municípios de Batalha, Castelo Branco, Constância, Sardoal, Oeiras, Mação, Vila de Rei e Amadora.

Este é um projeto que pretende potenciar as competências dos municípios, das escolas e das comunidades, no sentido de concretizar a ideia de qualificação e de excelência educativa. A participação da Universidade Nova de Lisboa, através do CESNOVA, cinge‐se à sua competência técnica e científica.

 

Objetivos do projeto ESCXEL

O projeto ESCXEL orienta‐se em função de um conjunto sistematizado de objetivos que passamos a enunciar de forma sintética:

  1. Capacitar as escolas e as comunidades (alunos, professores, pais, cidadãos, decisores políticos) para a promoção da excelência educativa.
  2. Capacitar tecnicamente e assessorar os Municípios para a adoção de planos e estratégias de desenvolvimento educativo local.
  3. Identificar, difundir e monitorizar as boas práticas escolares.
  4. Desenvolver modelos de monitorização do desempenho e autoavaliação das escolas.
  5. Produção de conhecimento científico sobre as dinâmicas educacionais, sociais e culturais locais.

A prossecução destes objetivos assenta na sistematização e planeamento dos diferentes contributos de cada tipo de instituição. O princípio da complementaridade desses contributos decorre do respeito pelas competências que cada tipo de instituição se dispõe a mobilizar.

Os investigadores disponibilizam as suas competências científicas para que os restantes parceiros possam beneficiar de instrumentos de análise, diagnóstico e de intervenção, sustentados em metodologias construídas “à medida” dos contextos e dos problemas localmente identificados. É igualmente da sua responsabilidade a produção e divulgação dos estudos que venham a ser desenvolvidos, especialmente através de artigos científicos, relatórios e ações de formação académica.

Os Municípios contribuem com as ações de mobilização e coordenação dos recursos necessários, especialmente pela integração da vertente escolar nos seus instrumentos de desenvolvimento local e de ordenamento de território.

As Escolas contribuem com as suas competências, a sua experiência e a sua capacidade de inovação e qualificação para, a partir do seu exemplo, desencadear processos de difusão e propagação de boas práticas educativas e organizacionais.