No dia 15 de março, pelas 17.30, o Agrupamento Semana-da-leitura Antonio-Tavares 2de Escolas Nuno Álvares teve a honra de receber, na nobre Biblioteca Egas Moniz, o escritor António Tavares o qual, "arrastando consigo uma boa parte do mundo", partilhou com os ouvintes, numa conversa simples, envolvente, rica e agradável, episódios da sua vida, a sua visão das coisas e do mundo, a sua experiência como escritor.

António Tavares nasceu em Angola, em 1960, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e é pós-graduado em Direito da Comunicação pela mesma universidade. Foi professor do ensino secundário e, atualmente, exerce o cargo de vice-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

Escreveu várias peças de Teatro, foi jornalista, fundador e diretor do periódico regional A Linha do Oeste. Como romancista, obteve uma menção honrosa no prémio Alves Redol e foi finalista do Prémio Leya 2013 com a obra "As palavras que me deverão guiar um dia", livro que foi escrito em duas semanas, revisto doze vezes e cujo título foi arrancado à última hora, ao acaso, no último minuto que restava para o envio para concurso, no posto de correios. De carácter autobiográfico, nele perpassam personagens da sua infância, reais e ficcionadas,

Semana-da-leitura Antonio-Tavares 1 episódios registados num caderno pardo com linhas, seu companheiro inseparável desde pequeno. Em 2015 ganhou o prémio Leya, com "Coro dos Defuntos", um retrato do mundo rural português entre 1968 e 1974, numa pequena aldeia da Beira, em que "Cada um sabia quem era os outros e cada qual conhecia todos", com habitantes profundamente ligados à natureza, preocupados com a falta de chuva, as colheitas, e que, em tempos de grandes avanços científicos e de convulsões sociais, nem sempre conseguem interpretar o que surge no ecrã do primeiro televisor.

"Nós somos aquilo que lemos", afirmou António Tavares, lembrando também que, a par da bagagem cultural, da vivência real e ficcionada, há algo que nunca deveremos ignorar: o nome das árvores.

As referências a Chateaubriand e às suas "Odes às árvores", Sebald, Michel Tournier e Steinbeck, entre outras, poderão conduzir o leitor ao desejo de saber mais, até porque "Não podendo nós viver tudo, uma parte do que vivemos é através dos outros que o conseguimos fazer", assim pensa o narrador em "As palavras que me deverão guiar um dia".

António Tavares participou ainda no Festival do Primeiro Romance de Chambéry, em França, em 2015.